
Dinâmica do Tráfico de Fauna no Brasil: Padrões Espaciais e Temporais com Base no Banco de Dados SisCETAS
O tráfico de animais silvestres constitui uma das principais ameaças à biodiversidade brasileira, contribuindo para o declínio de populações nativas. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) reúne uma base estratégica de dados sobre essa atividade ilegal, por meio de registros de apreensões, entregas voluntárias e resgates realizados pelos Centros de Triagem de Animais Silvestres (CETAS). Apesar disso, ainda são escassos os estudos de abrangência nacional que integrem padrões espaciais e temporais desses registros com fatores socioeconômicos, análises de dados de redes sociais e características biológicas das espécies afetadas. Diante desse contexto, este estudo investigará a dinâmica temporal e espacial do tráfico de vertebrados no Brasil com base em dados históricos da literatura, do SisCETAS e de outros sistemas do IBAMA, buscando identificar tendências e mudanças ao longo do tempo. Serão avaliadas as espécies mais apreendidas em diferentes regiões, relacionando sua procura nas plataformas digitais a características morfofisiológicas e a indicadores socioeconômicos associados à captura, comercialização e consumo. Adicionalmente, serão analisados fatores relacionados à mortalidade de indivíduos nos CETAS, considerando o tipo de ingresso, as espécies envolvidas e a estrutura dos centros, permitindo a identificação de espécies mais vulneráveis ao ciclo de captura e cativeiro. Espera-se que os resultados revelem padrões consistentes do tráfico no país, associados à urbanização, à demanda por espécies específicas e à disponibilidade regional de fauna, além de subsidiar indicadores de desempenho para os CETAS e estratégias de aprimoramento das ações de manejo, reabilitação e soltura.




